quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
sábado, 18 de janeiro de 2014
Educação no Hospital:

Em
1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional deu início à
formalização do funcionamento das classes hospitalares, determinando aos
governos "garantir atendimento educacional especializado gratuito aos
alunos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular".
Em
2001, o Conselho Nacional de Educação, no artigo 13º da Resolução nº 2, tratou
da obrigatoriedade do sistema e utilizou, pela primeira vez, a nomenclatura
"classe hospitalar". Desde então, ficou definido que "os
sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem
organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de
frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação
hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em
domicílio".
Com
base nas regras anteriores, a Secretaria de Educação Especial do MEC elaborou
em 2002 os termos reguladores que detalham o trabalho dentro das unidades de
Saúde. Cabe aos estados e municípios adaptar essa legislação nacional e traçar
orientações específicas para cada rede de ensino
Além
de permitir que o aluno internado não perca tempo nos estudos e continue
acompanhando o currículo de sua escola, as atividades nas classes hospitalares
são apontadas por estudos como aliadas da recuperação clínica dos estudantes.
Uma pesquisa conduzida pela professora Izabel Cristina Silva Moura, do
Instituto Helena Antipoff, vinculado à Secretaria Municipal de Educação
do Rio de Janeiro, acompanhou 50 crianças por um mês em três hospitais
diferentes da cidade. Ela observou que o grupo que assistia às aulas teve
níveis de estresse menores do que os que não passavam pelo atendimento, de
acordo com uma escala especial para esse tipo de análise.
Informalmente,
essa também é uma constatação diária das educadoras que trabalham com jovens
doentes. Em 2000, conta a professora Rosemary Hilário, do Hospital do Câncer, a
prefeitura de São Paulo deu férias coletivas para todos os docentes, inclusive
os que não atuavam nas unidades regulares. Até então, a classe de lá ficava
aberta nas férias. Durante o recesso, os médicos que cuidavam dos estudantes
internados relataram que as crianças usaram o dobro de analgésicos. "E,
quando eram perguntadas sobre as dores, elas não sabiam responder",
lembra. "Achamos que isso foi causado pelo ócio. Os alunos precisam se
ocupar, esquecer que estão numa situação delicada", diz. Desde então, a
classe fica aberta o ano todo, com esquema de revezamento entre os professores
no período de festas
Na
prática, é a equipe médica que deve acionar as secretarias de Educação assim
que um estudante da rede pública dá entrada com alguma doença severa (para
os oriundos da particular, é a própria escola que deve providenciar o
serviço). Em alguns estados e municípios, já existe inclusive um quadro de
docentes previamente concursados e preparados para a função, e é junto a esses
órgãos que interessados no emprego devem procurar orientações. "Cabe aos
governos locais oferecer a mão -de- obra e as capacitações necessárias. Tudo
para que o aluno se atrase o mínimo possível no ritmo de sua turma
original", diz Martinha Dutra dos Santos, coordenadora-geral
da Secretaria de Educação Especial do MEC.
Apesar
de ser chamada tecnicamente de classe, a aula é individual, nos leitos ou em
salas cedidas pela unidade de Saúde. Diferentemente de uma escola regular (onde
é possível fazer atividades de longa duração), cada tarefa precisa ter início,
meio e fim no mesmo dia. "É um ritmo estranho. Eu posso planejar tudo hoje
e, amanhã, o estudante recebe alta. Daí eu tenho de fazer coisas novas para
outra criança que acabou de chegar", conta a professora Geane Yada, do
Hospital Darcy Vargas, em São Paulo.
A
carga horária também é diferente das escolas, claro. O educador pode iniciar
uma conversa e, em instantes, ter de parar devido a uma indisposição. O
indicado é que o aluno consiga ter o mesmo conteúdo e a mesma carga horária da
escola. Mas, com o sobe –e -desce do tratamento, isso nem sempre é possível.
Os
especialistas alegam que as experiências em curso nem sempre ocorrem num
contexto ideal. "Há o déficit de profissionais para atuar do 6º ao 9º ano.
E, em muitos lugares, o voluntário ainda atua no lugar do educador", diz
Eneida Simões da Fonseca, professora do Departamento de Estudos em Educação
Inclusiva e Continuada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Sim, a
escola de origem precisa dar apoio aos professores hospitalares. Assim que um
estudante chega para tratamento, o titular da classe hospitalar deve chamar a
família e o futuro aluno para conversar sobre sua situação. Normalmente, um
coordenador pedagógico articula essa fase. Em seguida, o docente entra em
contato com a escola para solicitar o currículo que a criança seguiria e também
as atividades já realizadas. Cabe à unidade de ensino encaminhar todas as
tarefas previstas para que o aluno faça em sua internação - inclusive as
provas, que serão devolvidas para a correção pelo educador da turma regular.
A
professora Célia Wiczneski, coordenadora pedagógica do Hospital do Trabalhador,
em Curitiba, conta que essa relação não é fácil e, como já aconteceu, a escola
muitas vezes nem sabe que um estudante adoeceu. "Hoje é mais fácil
conversar. Mas, no início, eu precisei bater o pé. E, quando não tinha solução,
ligava para a Secretaria de Educação e contava o que estava acontecendo."
Foi com tanto empenho que garantiu a continuidade nos estudos de vários jovens
como Felipe Eduardo Alves da Silva, 9 anos, que está na 4ª série e sofre de
osteomielite (infecção óssea) e precisa de internações sucessivas
O MEC
sugere articular a programação de atendimento em dois momentos. No primeiro, o
docente trabalha com os conteúdos definidos num currículo próprio, geral, que
tem por base os Parâmetros Curriculares Nacionais. É
para evitar atrasos em caso de demora no envio dos materiais pela escola
de origem", explica Rosemary Hilário, coordenadora do Hospital do Câncer.
No segundo, já de posse da papelada, a equipe do hospital adapta o trabalho
pedagógico de acordo com o histórico do aluno, muitas vezes lançando mão de uma
avaliação inicial.
Uma
articulação especial é necessária quando o estudante apresenta um quadro
clínico que requer idas e vindas constantes. É o caso de Eula Carla de Lima, 12
anos. Ela está na 6ª série, sofre com displasia (anomalia) na tíbia esquerda e
precisa passar por cirurgias frequentes, também no Hospital do Trabalhador.
Para ela, o ano escolar acontece simultaneamente na unidade regular em que
estava matriculada e no hospital.
Atualmente,
já existem até cursos de especialização para ajudar os professores a enfrentar
e se adaptar às situações de morte iminente. Enquanto esta reportagem estava
sendo feita, uma aluna do Hospital Darcy Vargas faleceu. Para Rosemary Hilário,
coordenadora do Hospital do Câncer, são coisas que acontecem. "Temos de
encarar da mesma forma que faríamos em uma turma regular", argumenta. "E,
na hora que os familiares chegam para conversar com você, não podemos esquecer
que não somos psicólogos para dar orientações. A melhor coisa é ouvir."
A
volta para a escola precisa ser pensada com antecedência. Deve-se levar em
conta eventuais adaptações estruturais necessárias, como a construção de rampas
para os jovens que passam a usar cadeira de rodas. A montagem bem feita de uma
pasta ou arquivo, com toda a documentação sobre o período de internação, também
é essencial. Devem ser reunidos os exercícios feitos, os exames aplicados e os
relatórios com a carga horária total do atendimento, os conteúdos abordados e
as principais dificuldades encontradas, inclusive com as observações feitas
pelo docente.
A
sensibilização da comunidade escolar também é essencial e ajuda a evitar
comentários maldosos. Como contam os especialistas, a manutenção do vínculo com
a unidade de ensino durante o período de afastamento é a melhor arma contra os
problemas, já que todos estão cientes do processo.
A
aplicação de provas para medir o nível do aluno em seu retorno não é defendida
pelo MEC. O ideal, para o órgão, é que a equipe pedagógica estude os materiais
enviados pelo hospital para chegar a um diagnóstico.
Texto: Bianca Bibiano
http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/classe-hospital
Em
1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional deu início à
formalização do funcionamento das classes hospitalares, determinando aos
governos "garantir atendimento educacional especializado gratuito aos
alunos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular".
Em
2001, o Conselho Nacional de Educação, no artigo 13º da Resolução nº 2, tratou
da obrigatoriedade do sistema e utilizou, pela primeira vez, a nomenclatura
"classe hospitalar". Desde então, ficou definido que "os
sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem
organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de
frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação
hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em
domicílio".
Com
base nas regras anteriores, a Secretaria de Educação Especial do MEC elaborou
em 2002 os termos reguladores que detalham o trabalho dentro das unidades de
Saúde. Cabe aos estados e municípios adaptar essa legislação nacional e traçar
orientações específicas para cada rede de ensino
Além
de permitir que o aluno internado não perca tempo nos estudos e continue
acompanhando o currículo de sua escola, as atividades nas classes hospitalares
são apontadas por estudos como aliadas da recuperação clínica dos estudantes.
Uma pesquisa conduzida pela professora Izabel Cristina Silva Moura, do
Instituto Helena Antipoff, vinculado à Secretaria Municipal de Educação
do Rio de Janeiro, acompanhou 50 crianças por um mês em três hospitais
diferentes da cidade. Ela observou que o grupo que assistia às aulas teve
níveis de estresse menores do que os que não passavam pelo atendimento, de
acordo com uma escala especial para esse tipo de análise.
Informalmente,
essa também é uma constatação diária das educadoras que trabalham com jovens
doentes. Em 2000, conta a professora Rosemary Hilário, do Hospital do Câncer, a
prefeitura de São Paulo deu férias coletivas para todos os docentes, inclusive
os que não atuavam nas unidades regulares. Até então, a classe de lá ficava
aberta nas férias. Durante o recesso, os médicos que cuidavam dos estudantes
internados relataram que as crianças usaram o dobro de analgésicos. "E,
quando eram perguntadas sobre as dores, elas não sabiam responder",
lembra. "Achamos que isso foi causado pelo ócio. Os alunos precisam se
ocupar, esquecer que estão numa situação delicada", diz. Desde então, a
classe fica aberta o ano todo, com esquema de revezamento entre os professores
no período de festas
Na
prática, é a equipe médica que deve acionar as secretarias de Educação assim
que um estudante da rede pública dá entrada com alguma doença severa (para
os oriundos da particular, é a própria escola que deve providenciar o
serviço). Em alguns estados e municípios, já existe inclusive um quadro de
docentes previamente concursados e preparados para a função, e é junto a esses
órgãos que interessados no emprego devem procurar orientações. "Cabe aos
governos locais oferecer a mão -de- obra e as capacitações necessárias. Tudo
para que o aluno se atrase o mínimo possível no ritmo de sua turma
original", diz Martinha Dutra dos Santos, coordenadora-geral
da Secretaria de Educação Especial do MEC.
Apesar
de ser chamada tecnicamente de classe, a aula é individual, nos leitos ou em
salas cedidas pela unidade de Saúde. Diferentemente de uma escola regular (onde
é possível fazer atividades de longa duração), cada tarefa precisa ter início,
meio e fim no mesmo dia. "É um ritmo estranho. Eu posso planejar tudo hoje
e, amanhã, o estudante recebe alta. Daí eu tenho de fazer coisas novas para
outra criança que acabou de chegar", conta a professora Geane Yada, do
Hospital Darcy Vargas, em São Paulo.
A
carga horária também é diferente das escolas, claro. O educador pode iniciar
uma conversa e, em instantes, ter de parar devido a uma indisposição. O
indicado é que o aluno consiga ter o mesmo conteúdo e a mesma carga horária da
escola. Mas, com o sobe –e -desce do tratamento, isso nem sempre é possível.
Os
especialistas alegam que as experiências em curso nem sempre ocorrem num
contexto ideal. "Há o déficit de profissionais para atuar do 6º ao 9º ano.
E, em muitos lugares, o voluntário ainda atua no lugar do educador", diz
Eneida Simões da Fonseca, professora do Departamento de Estudos em Educação
Inclusiva e Continuada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Sim, a
escola de origem precisa dar apoio aos professores hospitalares. Assim que um
estudante chega para tratamento, o titular da classe hospitalar deve chamar a
família e o futuro aluno para conversar sobre sua situação. Normalmente, um
coordenador pedagógico articula essa fase. Em seguida, o docente entra em
contato com a escola para solicitar o currículo que a criança seguiria e também
as atividades já realizadas. Cabe à unidade de ensino encaminhar todas as
tarefas previstas para que o aluno faça em sua internação - inclusive as
provas, que serão devolvidas para a correção pelo educador da turma regular.
A
professora Célia Wiczneski, coordenadora pedagógica do Hospital do Trabalhador,
em Curitiba, conta que essa relação não é fácil e, como já aconteceu, a escola
muitas vezes nem sabe que um estudante adoeceu. "Hoje é mais fácil
conversar. Mas, no início, eu precisei bater o pé. E, quando não tinha solução,
ligava para a Secretaria de Educação e contava o que estava acontecendo."
Foi com tanto empenho que garantiu a continuidade nos estudos de vários jovens
como Felipe Eduardo Alves da Silva, 9 anos, que está na 4ª série e sofre de
osteomielite (infecção óssea) e precisa de internações sucessivas
O MEC
sugere articular a programação de atendimento em dois momentos. No primeiro, o
docente trabalha com os conteúdos definidos num currículo próprio, geral, que
tem por base os Parâmetros Curriculares Nacionais. É
para evitar atrasos em caso de demora no envio dos materiais pela escola
de origem", explica Rosemary Hilário, coordenadora do Hospital do Câncer.
No segundo, já de posse da papelada, a equipe do hospital adapta o trabalho
pedagógico de acordo com o histórico do aluno, muitas vezes lançando mão de uma
avaliação inicial.
Uma
articulação especial é necessária quando o estudante apresenta um quadro
clínico que requer idas e vindas constantes. É o caso de Eula Carla de Lima, 12
anos. Ela está na 6ª série, sofre com displasia (anomalia) na tíbia esquerda e
precisa passar por cirurgias frequentes, também no Hospital do Trabalhador.
Para ela, o ano escolar acontece simultaneamente na unidade regular em que
estava matriculada e no hospital.
Atualmente,
já existem até cursos de especialização para ajudar os professores a enfrentar
e se adaptar às situações de morte iminente. Enquanto esta reportagem estava
sendo feita, uma aluna do Hospital Darcy Vargas faleceu. Para Rosemary Hilário,
coordenadora do Hospital do Câncer, são coisas que acontecem. "Temos de
encarar da mesma forma que faríamos em uma turma regular", argumenta. "E,
na hora que os familiares chegam para conversar com você, não podemos esquecer
que não somos psicólogos para dar orientações. A melhor coisa é ouvir."
A
volta para a escola precisa ser pensada com antecedência. Deve-se levar em
conta eventuais adaptações estruturais necessárias, como a construção de rampas
para os jovens que passam a usar cadeira de rodas. A montagem bem feita de uma
pasta ou arquivo, com toda a documentação sobre o período de internação, também
é essencial. Devem ser reunidos os exercícios feitos, os exames aplicados e os
relatórios com a carga horária total do atendimento, os conteúdos abordados e
as principais dificuldades encontradas, inclusive com as observações feitas
pelo docente.
A
sensibilização da comunidade escolar também é essencial e ajuda a evitar
comentários maldosos. Como contam os especialistas, a manutenção do vínculo com
a unidade de ensino durante o período de afastamento é a melhor arma contra os
problemas, já que todos estão cientes do processo.
A
aplicação de provas para medir o nível do aluno em seu retorno não é defendida
pelo MEC. O ideal, para o órgão, é que a equipe pedagógica estude os materiais
enviados pelo hospital para chegar a um diagnóstico.
Texto: Bianca Bibiano
http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/classe-hospital
Em
1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional deu início à
formalização do funcionamento das classes hospitalares, determinando aos
governos "garantir atendimento educacional especializado gratuito aos
alunos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular".
Em
2001, o Conselho Nacional de Educação, no artigo 13º da Resolução nº 2, tratou
da obrigatoriedade do sistema e utilizou, pela primeira vez, a nomenclatura
"classe hospitalar". Desde então, ficou definido que "os
sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem
organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de
frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação
hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em
domicílio".
Com
base nas regras anteriores, a Secretaria de Educação Especial do MEC elaborou
em 2002 os termos reguladores que detalham o trabalho dentro das unidades de
Saúde. Cabe aos estados e municípios adaptar essa legislação nacional e traçar
orientações específicas para cada rede de ensino
Além
de permitir que o aluno internado não perca tempo nos estudos e continue
acompanhando o currículo de sua escola, as atividades nas classes hospitalares
são apontadas por estudos como aliadas da recuperação clínica dos estudantes.
Uma pesquisa conduzida pela professora Izabel Cristina Silva Moura, do
Instituto Helena Antipoff, vinculado à Secretaria Municipal de Educação
do Rio de Janeiro, acompanhou 50 crianças por um mês em três hospitais
diferentes da cidade. Ela observou que o grupo que assistia às aulas teve
níveis de estresse menores do que os que não passavam pelo atendimento, de
acordo com uma escala especial para esse tipo de análise.
Informalmente,
essa também é uma constatação diária das educadoras que trabalham com jovens
doentes. Em 2000, conta a professora Rosemary Hilário, do Hospital do Câncer, a
prefeitura de São Paulo deu férias coletivas para todos os docentes, inclusive
os que não atuavam nas unidades regulares. Até então, a classe de lá ficava
aberta nas férias. Durante o recesso, os médicos que cuidavam dos estudantes
internados relataram que as crianças usaram o dobro de analgésicos. "E,
quando eram perguntadas sobre as dores, elas não sabiam responder",
lembra. "Achamos que isso foi causado pelo ócio. Os alunos precisam se
ocupar, esquecer que estão numa situação delicada", diz. Desde então, a
classe fica aberta o ano todo, com esquema de revezamento entre os professores
no período de festas
Na
prática, é a equipe médica que deve acionar as secretarias de Educação assim
que um estudante da rede pública dá entrada com alguma doença severa (para
os oriundos da particular, é a própria escola que deve providenciar o
serviço). Em alguns estados e municípios, já existe inclusive um quadro de
docentes previamente concursados e preparados para a função, e é junto a esses
órgãos que interessados no emprego devem procurar orientações. "Cabe aos
governos locais oferecer a mão -de- obra e as capacitações necessárias. Tudo
para que o aluno se atrase o mínimo possível no ritmo de sua turma
original", diz Martinha Dutra dos Santos, coordenadora-geral
da Secretaria de Educação Especial do MEC.
Apesar
de ser chamada tecnicamente de classe, a aula é individual, nos leitos ou em
salas cedidas pela unidade de Saúde. Diferentemente de uma escola regular (onde
é possível fazer atividades de longa duração), cada tarefa precisa ter início,
meio e fim no mesmo dia. "É um ritmo estranho. Eu posso planejar tudo hoje
e, amanhã, o estudante recebe alta. Daí eu tenho de fazer coisas novas para
outra criança que acabou de chegar", conta a professora Geane Yada, do
Hospital Darcy Vargas, em São Paulo.
A
carga horária também é diferente das escolas, claro. O educador pode iniciar
uma conversa e, em instantes, ter de parar devido a uma indisposição. O
indicado é que o aluno consiga ter o mesmo conteúdo e a mesma carga horária da
escola. Mas, com o sobe –e -desce do tratamento, isso nem sempre é possível.
Os
especialistas alegam que as experiências em curso nem sempre ocorrem num
contexto ideal. "Há o déficit de profissionais para atuar do 6º ao 9º ano.
E, em muitos lugares, o voluntário ainda atua no lugar do educador", diz
Eneida Simões da Fonseca, professora do Departamento de Estudos em Educação
Inclusiva e Continuada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
A
professora Célia Wiczneski, coordenadora pedagógica do Hospital do Trabalhador,
em Curitiba, conta que essa relação não é fácil e, como já aconteceu, a escola
muitas vezes nem sabe que um estudante adoeceu. "Hoje é mais fácil
conversar. Mas, no início, eu precisei bater o pé. E, quando não tinha solução,
ligava para a Secretaria de Educação e contava o que estava acontecendo."
Foi com tanto empenho que garantiu a continuidade nos estudos de vários jovens
como Felipe Eduardo Alves da Silva, 9 anos, que está na 4ª série e sofre de
osteomielite (infecção óssea) e precisa de internações sucessivas
O MEC
sugere articular a programação de atendimento em dois momentos. No primeiro, o
docente trabalha com os conteúdos definidos num currículo próprio, geral, que
tem por base os Parâmetros Curriculares Nacionais. É
para evitar atrasos em caso de demora no envio dos materiais pela escola
de origem", explica Rosemary Hilário, coordenadora do Hospital do Câncer.
No segundo, já de posse da papelada, a equipe do hospital adapta o trabalho
pedagógico de acordo com o histórico do aluno, muitas vezes lançando mão de uma
avaliação inicial.
Uma
articulação especial é necessária quando o estudante apresenta um quadro
clínico que requer idas e vindas constantes. É o caso de Eula Carla de Lima, 12
anos. Ela está na 6ª série, sofre com displasia (anomalia) na tíbia esquerda e
precisa passar por cirurgias frequentes, também no Hospital do Trabalhador.
Para ela, o ano escolar acontece simultaneamente na unidade regular em que
estava matriculada e no hospital.
Atualmente,
já existem até cursos de especialização para ajudar os professores a enfrentar
e se adaptar às situações de morte iminente. Enquanto esta reportagem estava
sendo feita, uma aluna do Hospital Darcy Vargas faleceu. Para Rosemary Hilário,
coordenadora do Hospital do Câncer, são coisas que acontecem. "Temos de
encarar da mesma forma que faríamos em uma turma regular", argumenta. "E,
na hora que os familiares chegam para conversar com você, não podemos esquecer
que não somos psicólogos para dar orientações. A melhor coisa é ouvir."
A
volta para a escola precisa ser pensada com antecedência. Deve-se levar em
conta eventuais adaptações estruturais necessárias, como a construção de rampas
para os jovens que passam a usar cadeira de rodas. A montagem bem feita de uma
pasta ou arquivo, com toda a documentação sobre o período de internação, também
é essencial. Devem ser reunidos os exercícios feitos, os exames aplicados e os
relatórios com a carga horária total do atendimento, os conteúdos abordados e
as principais dificuldades encontradas, inclusive com as observações feitas
pelo docente.
A
sensibilização da comunidade escolar também é essencial e ajuda a evitar
comentários maldosos. Como contam os especialistas, a manutenção do vínculo com
a unidade de ensino durante o período de afastamento é a melhor arma contra os
problemas, já que todos estão cientes do processo.
A
aplicação de provas para medir o nível do aluno em seu retorno não é defendida
pelo MEC. O ideal, para o órgão, é que a equipe pedagógica estude os materiais
enviados pelo hospital para chegar a um diagnóstico.
Texto: Bianca Bibiano
http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/classe-hospital
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O Nome da Rosa
Leitura Crítica do filme
Por se tratar de uma adaptação da obra literária para o cinema, é preciso que se faça uma leitura cuidadosa da obra cinematográfica, cuidando para não relacionar apenas as duas obras em questão, pois se trata de uma interpretação do diretor Annaud partindo da leitura da obra de Umberto Eco.
Os atores escolhidos para atuar no filme como protagonistas são Sean Connery, que faz o papel do Frei Guilherme de Baskerville e o jovem Christian Slater como o aprendiz Adson de Melk. Mesclando suspense e romance, o filme se passa nos anos de 1316 e 1334, quando João XXII era o Papa.
Em suma, a narrativa fílmica pode ser assim descrita: Parte da trajetória do Frei de Baskerville e seu aprendiz, Adson de Melk, que acompanha seus ensinamentos, em direção a um mosteiro afastado com o propósito de investigar uma suposta morte que deveria ser advinda pelo demônio. No entanto, ao chegar, imersos em histórias diversas e controversas, eles puderam identificar que, na realidade, o finado pulou do alto de uma das torres do mosteiro. Ainda em meio a tantos mistérios, o Frei e seu aprendiz passam a investigar outras mortes, causando certa instabilidade emocional entre os religiosos.
A narrativa se segue com outro acontecimento que chama a atenção: a chegada de Bernardo Gui, um Grão-Inquisidor, com a missão de torturar e matar qualquer suspeito que tenha cometido assassinatos em nome do diabo. Começa então a perseguição ao protagonista dessa história, Frei Baskerville, acusado de ser, ele também, um dos influenciados pelas ações demoníacas.
Seguido de crimes, mistérios e acusações, o filme é ainda conduzido a partir da ideia tacanha e manipuladora da igreja em relação ao maniqueísmo bem x mal, um dos seus grandes pilares de sustentação. Além disso, há importante referência filosófica a Aristóteles (dentre tantas outras que são feitas ao longo da história que está sendo contada), visto que os crimes narrados estavam numa biblioteca que escondia propositalmente uma obra deste filósofo que expressava o prazer pela comédia.
Nesse momento a história revela segredos: um Frei antigo do mosteiro escondia esta obra, pois ela poderia fazer com que as pessoas duvidassem dos Evangelhos. Para punir aqueles que se atrevessem a lê-lo, o Frei coloca veneno mortal em suas folhas.
O momento da sociedade medieval do séc. XIV, marcada pela desintegração do feudalismo e a formação do capitalismo na Europa Ocidental na época em que a igreja controlava o estado e retirava do povo o direito ao conhecimento é o cenário onde se passa essa história. É possível observar, ali, as ocorrências na idade média quando era normal à atitude de colocar Deus e aqueles investidos da autoridade religiosa no centro de qualquer visão do mundo e de qualquer interpretação da história, o Teocentrismo, período que quase nada contribui para a psicologia, pois apesar de terem existido estudos sobre a reflexão humana, estes careceram de bases cientificas. A melhor contribuição desta época foi a importância que se evidenciou da necessidade do conhecimento e do pensar racionalmente.
Além disso, a dose cômica do filme – e que também leva a uma série de reflexões e questionamentos, diz respeito ao mistério sobre a possibilidade de alguma vez ter sido testemunhada uma risada de Jesus Cristo ou se era proibido. A seriedade, no entanto, chega a ser cômica, de fato, tendo em vista a violência extremada praticada pela igreja desde os tempos remotos.
A "violência", apesar de ser uma importante temática do filme, não é o grande motivador da discussão da obra, visto que ela aparece de maneira bastante evidente, deixando claro o propósito do diretor em discutir tantas outras questões subjacentes, como a discórdia entre os personagens do clero, por exemplo. Sobre a violência – e hoje podemos acrescentar com mais segurança – as violências cometidas pela Igreja, não se concentram apenas na inquisição, que, através dos seus tribunais, decidia de maneira arbitrária o destino de muitos que supostamente estavam mancomunados com o diabo, a representação do mal.
Outra questão importante diz respeito a toda discussão filosófica, ou metafilosófica, realizada pelo filme, na figura do personagem Frei de Baskerville que trazia todos os seus conceitos e teorias com grandes conhecimentos de suas leituras de filósofos, mostrando o início da filosofia medieval e a política banal da Igreja, que ignorava suas ideias.
Não pairam dúvidas, nessa leitura de O nome da rosa, quanto ao procedimento da igreja católica que impedia a divulgação do conhecimento pelo receio de que isto provocasse uma perda de poder. Isto provocou a morte de milhares de inocentes levados à fogueira.
Ficha Técnica
Título do filme: O NOME DA ROSA (Der Name Der Rose), baseado no romance de Umberto Eco lançado em 1980.
Ano de Lançamento: (Alemanha) 1986. Duração/Distribuição: 130 min, Globo
Direção: Jean Jacques Annaud Elenco: Sean Conery, F. Murray Abraham, Cristian Slater.
Título do filme: O NOME DA ROSA (Der Name Der Rose), baseado no romance de Umberto Eco lançado em 1980.
Ano de Lançamento: (Alemanha) 1986. Duração/Distribuição: 130 min, Globo
Direção: Jean Jacques Annaud Elenco: Sean Conery, F. Murray Abraham, Cristian Slater.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Se todos os educadores fossem capacitados para enxergar além do que querem ou aprendem, a EDUCAÇÃO BRASILEIRA seria modelo mundial.
Amigos por favor assista esse filme é muito LINDO, E EMOCIONANTE!!!
Ele relata uma historia:Um Professor pode com suas atitudes, e sua prática Pedagógica ajudar ou destruir a vida de uma criança.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
As Contribuições da Brinquedoteca no Hospital !
O desenvolvimento social das crianças é um assunto importante e deve ser tratado de forma adequada, pois a criança que vive em comunidade adquire valores de grupo.
A brinquedoteca no ambiente hospitalar
tem função primordial e reconhecida no
restabelecimento da saúde do pequeno paciente, por se constituir em um
recurso de potencialização da continuidade do processo de desenvolvimento
infanto-juvenil, uma vez que a criança e o adolescente poderão explorar
um ambiente que, ao contrário do ambiente hospitalar, lhe parece
familiar e acolhedor.
Segundo o Dr. Brian Sutton Smith, autoridade em desenvolvimento infantil
do Departamento de Educação da Universidade da Pensilvânia, os brinquedos
são tão importantes no brincar quanto os livros no estudar.
Os brinquedos dão as crianças á oportunidade de dominar e controlar o ambiente,
e criar outros mundos imaginários. Brincando, as crianças constroem seu
próprio mundo e os brinquedos são as ferramentas que contribuem para
esta construção.
Afirma Piaget (1976) a atividade lúdica é o berço obrigatório das
atividades intelectuais da criança.
Estas não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar
energia das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento
intelectual.
As brincadeiras aparentemente simples são fontes de estímulo ao
desenvolvimento cognitivo, social e afetivo da criança e também é uma forma de
auto-expressão..
Também, em contato com os brinquedos e as atividades programadas, os pacientes
podem se tornar participantes ativos do processo de reabilitação, em que
pese a maior aceitação da situação de hospitalização, maior propensão a
aderir ao tratamento e o incremento da confiança na equipe de saúde.
É com os brinquedos que elas começam a desenvolver sua criatividade e sua
habilidade para mudar o futuro. Quando as crianças têm oportunidade de
brincar, vivem uma experiência que enriquece sua sociabilidade e sua capacidade
de se tornarem seres humanos criativos.
Os brinquedos fazem com que as crianças compreendam que o mundo está cheio
de possibilidades e que eles, brinquedos, simbolizam as oportunidades de
expansão da criatividade do homem.
Baseando-se nestas afirmações, se faz necessário chamar a atenção dos
profissionais da saúde do setor hospitalar para a implantação da brinquedoteca,
como tentativa de tornar o setor infantil, Pediatria, um lugar menos
hostil e mais aconchegante, aliviando as angustia e favorecendo a recuperação.
Neste ponto, a brincadeira tem participação especial. No intuito de
valorizar a brincadeira e fazer dela um ponto importante no
desenvolvimento infantil, surge a Brinquedoteca, ajudando a suprir a
necessidade de um espaço onde à criança possa se integrar socialmente e
vivenciar atividades em um ambiente repleto de ludicidade.
É possível, também associar o aparecimento da brinquedoteca como
resultado de uma sociedade que teve de abolir a rua como local de encontro
e brincadeira de crianças.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Inclusão Social - Pessoas com Deficiências
Maravilhoso esse vídeo: lindo, emocionante mesmo.
Sobre a Inclusão dos portadores de deficiência.
Sobre a Inclusão dos portadores de deficiência.
Que todos tomem consciência que os deficientes tem os mesmos direitos, e parem de ver a deficiência como um empecilho para a
vida social e para o trabalho.
vida social e para o trabalho.
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